Das vezes

Nas palavras de Ich Ojuara,
“ Das vezes que me despedacei nunca precisei que ninguém juntasse meus pedaços e os colasse, eu precisava de alguém que não me deixasse cair, que não me deixasse quebrar, e nos momentos que mais precisei senti o frio do chão se espalhando por minhas mil partes, que agora acham-se gélidas no chão.
Das vezes que me despedacei nunca usei ninguém para esquecer que um dia já me quebrara em mil partes, eu precisava de pessoas que me ajudassem a entender o que acontecera comigo, que não me dissessem que eu estava certa, que me mostrassem o que aprender com tudo aquilo, e nos momentos que mais precisei, senti solidão, e o medo se espalhando por minhas mil partes, que continuavam gélidas no chão.
Das vezes que me despedacei nunca precisei pedir ajuda, eu me recompunha sozinha, precisava apenas colar meus pedaços, por fora parecia nunca havia me quebrado, mas por dentro a cola se aflorava como cicatrizes, e nos momentos que mais precisei senti que eu não me curava, e que não havia conseguido reparar todas as minhas mil partes, que continuavam gélidas no chão porém, escondidas dentro de mim.
Das vezes que me despedacei prometi a mim que não quebraria de novo em mil partes, eu tentei trilhar caminhos que me distanciassem do perigo, mas confiei e nos momentos que mais precisei me senti só, senti cada uma de minhas mil cicatrizes doerem, senti cada sensação novamente, mas eu não havia quebrado em mil partes, havia apenas duas partes gélidas no chão, meu coração.”

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